Turismo Arqueológico e suas diferentes faces

    O turismo tem se intensificado como atividade econômica nos últimos anos, apesar de atualmente por conta da pandemia da COVID-19, os impactos negativos e a pausa das atividades turísticas e atividades interdisciplinares ligadas à ele tenham sofrido ajustes. 
    Os turistas sempre buscam algo novo quando se trata de turismo, e as novidades que o cercam permitem que essas pessoas experimentem de tudo um pouco, além de conceder para aquela localidade a possibilidade de enxergar outros enfoques que podem sim gerar um retorno econômico e uma conscientização ambiental, esse é o caso do Turismo Arqueológico que está diretamente ligado ao Turismo Cultural, que segundo a Organização Mundial de Turismo (2003) "é uma modalidade de turismo que se concentra no patrimônio cultural de um país e de seu povo, retratado em seus monumentos e sítios históricos, sua arquitetura tradicional, seus artefatos, eventos, realizações culturais e artísticas."
    Para Manzato o turismo arqueológico,

consiste no processo decorrente do deslocamento e da permanência de visitantes a locais denominados sítios arqueológicos, onde são encontrados os vestígios remanescentes de antigas sociedades, sejam elas pré-históricas e/ou históricas, passíveis de visitação terrestre ou aquática (Manzato, 2005: 44).
 
    Um dos motivos que levaram a expansão desse tipo de turismo é a história existente por trás de cada sociedade e a necessidade de entender suas raízes, criando assim um sentimento de pertencimento, além de fomentar políticas que envolvam a comunidade a enxergar os bens arqueológicos como algo positivo. Os pesquisadores, turistas e moradores dessas localidades precisam estar em equilíbrio para que a atividade turística, caso possa ser exercida naquele local, seja feita de maneira correta, atrelando a comunidade a entender sobre sua cultura e com relação aos turistas, desencadear um sentimento de conscientização para aquela área e para aquele patrimônio.

A valorização do patrimônio arqueológico por meio de projetos que busquem a conservação e sua exposição de forma controlada e a adoção de mecanismos de visitação monitorada, através do turismo arqueológico, podem auferir recursos que poderão ser revertidos para a sua conservação de forma sustentável e também incentivar a sua proteção, além de transformá-los em produtos turísticos de qualidade para o usufruto das comunidades onde se inserem e por turistas (FERNADEZ, 1999 apud VELOSO et al., 2007, p. 03).
 
    Pesquisas mostram que os turistas cada vez mais estão a procura de experiências voltadas para a arqueologia, e isso facilita a valorização e apoio das entidades na preservação dos sítios arqueológicos, museus e etc. O trabalho do turismólogo consiste em administrar e gerenciar como determinadas atividades podem ou não ser benéficas para aquele local arqueológicoAlgumas atividades turísticas que podem ser realizadas levando em consideração o Turismo Arqueológico são:
  • Visitas guiadas com temáticas que envolvam as duas vertentes;
  • Escavação (muito comum em outros países, permite que o turista escave determinada parte do sítio com a ajuda de um profissional, o valor investido é revertido para a conservação do local e pagamento dos profissionais); 
  • Hospedagem em locais arqueológicos;
  • Apresentações que envolvam os afazeres dos povos antigos (gastronomia, festividades, etc);
  • Viagens que abranjam todo esse leque de atividades;
    É necessário relembrar que, nem todos os locais que possuem sítios, objetos, ou qualquer outra coisa ligada à arqueologia pode ser visitado. Isso depende de uma pesquisa que é necessário ser feita antes da abertura para visitação. Esse local pode receber pessoas? Se sim, quantas por dia? Como será a preservação dos artefatos?  Essa e outras questões que um Arqueólogo e um Turismólogo precisam estudar juntos, por isso se faz tão necessária essa junção. 
    No Brasil, infelizmente, se tornou algo constante os incêndios em museus que possuíam objetos de grande valor arqueológico e evidencia a urgência na criação de políticas que resguardem esse locais e tornem a vistoria algo obrigatório e regular, para que tragédias como a do Museu Nacional de Rio de Janeiro e o Museu de História Natural da UFMG sejam apenas lembranças que fiquem no passado e não ocorram novamente. 
    

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